Os 10% mais ricos do planeta concentram três quartos da riqueza pessoal global, enquanto a metade mais pobre da população mundial detém apenas 2%. Os detalhes dessa disparidade constam no novo “Relatório sobre Desigualdade Mundial”, publicado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Na ponta dessa pirâmide econômica e social, menos de 60 mil pessoas controlam, atualmente, três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade, ou seja, mais de 4 bilhões de pessoas. O documento apontou que essa é uma distância social que só aumenta, já que desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários tem crescido a uma taxa anual de aproximadamente 8%, quase o dobro da metade mais pobre da população.
O “Relatório sobre Desigualdade Mundial” também destaca que a desigualdade vai além do patrimônio e renda. Em todo o mundo, as mulheres trabalham em média 10 horas a mais, por semana, do que os homens, incluindo o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Entretanto, elas ficam com menos de um terço do rendimento. No caso brasileiro, as desigualdades estão entre os mais altos índices se consideradas as realidades de cada país.
De acordo com o relatório, no ano passado, o 1% de brasileiros mais ricos concentrava 37% da riqueza. Já a metade mais pobre, mais de 105 milhões de pessoas, possuía menos de 2,5% dessa riqueza total. A participação feminina no mercado de trabalho no Brasil também é desigual e se manteve estável na última década.
Como alternativas para diminuir a desigualdade, os responsáveis pelo relatório defendem a “tributação progressiva” dos mais ricos e a criação de um imposto mínimo sobre o patrimônio de multimilionários e bilionários.
O relatório destaca que o Brasil tem sido uma liderança nesse debate, ao propor a tributação de bilionários durante sua presidência do G20, no ano passado.
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