No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, Dom Pedro I teria proclamado a célebre frase: “Independência ou Morte!”. Esse gesto marcou o rompimento oficial com Portugal e deu início ao Império do Brasil, um novo capítulo da nossa história.
Contudo, o que conhecemos hoje sobre esse episódio é, em grande parte, fruto da construção da memória nacional. A imagem mais popular da cena não vem de relatos contemporâneos, mas do famoso quadro de Pedro Américo, pintado décadas depois, em 1888. Na obra, Dom Pedro aparece imponente, montado em um cavalo branco, cercado de guardas, em uma cena grandiosa e heroica.
Na vida real, dizem os registros, o momento foi bem menos épico: Dom Pedro montava uma mula e sofria de dores de barriga durante a viagem. Ainda assim, aquele ato simples de proclamação foi transformado em símbolo máximo da nossa identidade nacional, idealizado para reforçar a narrativa de uma independência gloriosa e sem contradições.
A independência idealizada e a independência real
A idealização do quadro e da cena faz parte de um fenômeno maior: a forma como os povos constroem sua memória. A pintura não apenas retratou o que aconteceu, mas moldou como os brasileiros passaram a imaginar e sentir a independência.
Mas é preciso refletir:
- Teríamos nos libertado de fato em 1822?
- Ou apenas mudamos de “dono”, saindo da tutela de Portugal para a de uma elite agrária e monárquica?
O Brasil independente nasceu ainda com escravidão, censura política e profunda desigualdade social. O povo, em sua maioria, não participou diretamente desse processo. A independência, portanto, não chegou de forma imediata ao cotidiano da maioria dos brasileiros.
A busca pela verdadeira independência
Mais de dois séculos depois, continuamos refletindo sobre o significado dessa data. A verdadeira independência não se limita a romper laços coloniais, mas a construir uma nação justa, democrática e inclusiva. Ser livre é ter voz, direitos, oportunidades e dignidade garantidos a todos.
Assim, o 7 de Setembro deve ser não apenas um dia de orgulho, mas também de questionamento e esperança: estamos, de fato, nos tornando independentes em nossas escolhas, em nossa cidadania e no futuro que desejamos?
🇧🇷 Desejamos a todos um ótimo Dia da Independência!
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